Sanidade poética

Minha Primeira antologia acaba de fazer dez anos. Tive um súbito bloqueio criativo que durou cerca de cinco anos, mas me permito dizer que foi um intervalo necessário para separar todas as minhas fontes de inspiração e aproveitar a minha experiência com a prosa.

Alguns estudos como a filosofia da percepção (Fenomenologia), Estética, e estética da criação, Criação literária ficaram para trás… Abandonei antologia como “O Embusteiro”, “Natureza Humana”, pra remoer menos as bobagens e lembranças e sagrar mais minhas vivências atuais e reais.

Isso me rendeu uma visão mais pragmática…

Esse voto de silêncio refinou minha visão e o que deve ser poetizado, guardado, vivido.

A natureza da condição humana teria uma conotação de exórdios… E dada a minha vontade, intencionalidade, prezei por manter minha sanidade e neutralizar, expurgar a inutilidade, ainda que dela uma bela catarse, uma sublimação, um milagre viesse.

Amo sonetos pela forma mesmo. Hoje é sabido que qualquer um com um teclado e a mínima alfabetização crêem-se capacitados a escrever e o verso branco perdeu-se nessa incompetência. E eu vou de reminiscências do real/verdadeiro e do que vale a pena… Do que deve ser celebrado:

Minha sanidade, ainda que tardia.

 

A Retórica do Silêncio

 

Vou toda tarde ao Largo dos Amores…
E a luz se esvai em matizes púrpuras,
Invadindo os umbrais da áurea cúpula
Nos vitrais do coração erguido em torre.

Meus lábios roxos fechados em arca
De segredos, dores, crimes e culpa…
Meu silêncio fiado a ouro tudo oculta
Sob o olhar indolente de uma parca.

Névoa, poeira de riso sempre triste
Paira em derredor deste pináculo
Que só para mim em sonho existe!

Quem visita um lugar mal-assombrado?
Distante minha alma é o precipício…
O coração Grão Duque suicidado!

Sândalo – Sonetos (fragmento – 10 anos)

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A Essência de Kali

Eu sou as trevas por trás e por baixo das sombras.
Eu sou a ausência de ar que espera no inicio de cada respiração.
Eu sou o fim antes que a vida recomece, a deterioração que fertiliza o que vive.
Eu sou o poço sem fundo, o esforço sem fim para reivindicar o que é negado.
Eu sou a chave que destranca todas as portas.
Eu sou a glória da descoberta, pois eu sou o que está escondido, segregado e proibido.Venha a mim na Lua Negra e veja o que não pode ser visto, encare o terror que é só seu.
Nade até mim através dos mais negros oceanos, até o centro de seus maiores medos.
Eu e o Deus das trevas o manteremos em segurança.
Grite para nós em terror e seu será o poder de suportar o insuportável.
Pense em mim quando sentir prazer e eu o intensificarei. Até o dia em que terei o maior prazer de encontra-lo na encruzilhada entre os mundos.
Sabedoria e a capacidade de dar poderes são os meus presentes.
Ouça-me, criança, e conheça-me por quem eu sou. Eu tenho estado com você desde o seu nascimento e ficarei com você ate que você retorne a mim no crepúsculo final.
Eu sou a amante apaixonada e sedutora que inspira o poeta a sonhar.
Eu sou aquela que te chama ao fim de sua jornada. Quando o dia se vai, minhas crianças encontram seu descanso abençoado em meus braços.
Eu sou o útero do qual todas as coisas nascem.
Eu sou o sombrio, silencioso túmulo; todas as coisas devem vir a mim e suportar a morte e o renascer para o todo.
Eu sou a Bruxa que não será governada, a tecelã do tempo, a professora dos mistérios.
Eu corto as linhas que trazem minhas crianças ate mim. Eu corto as gargantas dos cruéis e bebo o sangue daqueles sem coração. Engula seu medo e venha ate mim, e você descobrira verdadeira beleza, forca e coragem.
Eu sou a fúria que dilacera a carne da injustiça.
Eu sou a forja incandescente que transforma seus demônios internos em ferramentas de poder. Abra-se a meu abraço e domínio.
Eu sou a espada resplandecente que te protege do mal.
Eu sou o cadinho no qual todos os seus aspectos se misturam em um arco-íris de união.
Eu sou as profundezas aveludadas do céu noturno, as brumas rodopiantes da meia-noite, coberta de mistério.
Eu sou a crisálida na qual você ira encarar o que te apavora e da qual você ira florescer vibrante e renovada.
Procure por mim nas encruzilhadas e você será transformada, pois uma vez que você olhe para meu rosto não existe volta.
Eu sou o fogo que beija as algemas e as leva embora.
Eu sou o caldeirão no qual todos os opostos crescem para se conhecer de verdade. Eu sou a teia que conecta todas as coisas.
Eu sou a curadora de todas as feridas, a guerreira que corrige todos os erros a seu tempo.
Eu faço o fraco forte. Eu faço humilde o arrogante. Eu ergo o oprimido e dou poderes ao desprivilegiado. Eu sou a justiça temperada com compaixão.
Eu sou você, eu sou parte de você, estou dentro de você.
Procure-me dentro e fora e você será forte. Conheça-me, aventure-se nas trevas para que você possa acordar com equilíbrio, iluminação e plenitude. Leve meu amor consigo a toda parte e encontre o poder interior para ser quem você quiser.

 

Autor Desconhecido

 

A Negra

ADMOESTAÇÃO A UM JOVEM AMIGO (Jovem demais)

Nunca vi ninguém dizer alguma coisa corrigindo ou mostrando como funciona, sobre a vida ou sobre relações que envolvem outras pessoas, visando prejudicar. Fazer o mal. Costumo me cercar de pessoas bacanas, que querem bem, que se importam, por isso algumas palavras são duras, alguns caminhos tortuosos… Lembro-me de um dia uma amiga muito importante dizer… “crescer dói…”

Preocupe-se com quem sempre fica calado, com os omissos.

Os amigos mesmo são os primeiros s dizerem a verdade. Por mais dolorosa.

Quando se tem consciência do próprio papel assumir responsabilidade pelas próprias ações torna-se mais simples.

Quando vejo os meandros do desenrolar da minha história de vida, percebo o quanto sou o que eu queria ser, mesmo assumindo todas as expectativas que os outros depositaram em mim. Espelhando-me nos exemplos positivos e nos valores que aprendi no seio da minha família.

E deu certo. Inteligente, bonita e agora, bem sucedida. E totalmente sem modéstia.

Não confundo mais amor, atenção e o melhor dos outros com implicância, perseguição, antipatia.

Crescer dói, quando não se quer responsabilidade.

Sinto-me muito grata a todos… que contribuíram da sua forma a fazer com que minha personalidade se delineasse.

Crescer, quanto mais cedo, melhor. Jogue no lixo as desculpas, os culpados ( que tbm são desculpas), assumir que se tem responsabilidade por tudo que está a sua volta é um valor básico. Uma fundação pra toda a vida.

“És eternamente responsável por aquilo que cativas.”

E também eternamente culpado pelas oportunidades que perdes.

Quando vejo entre os meus, alguém que já tão cedo está cometendo os mesmo erros que cometi… Eu faço minha parte. Mostro o caminho melhor… Trilhá-lo é RESPONSABILIDADE sua!

Amanhã vais justificar teus erros com teu excesso de juventude!

E serás sempre escravo dessas infinitas desculpas… e será frustrado, solitário, infeliz e cercado de amigos errados… com quem jamais poderá contar.

E isso também fará jus ao que disseram, dirão e continuarão dizendo de ti… porque continuarás a te importar com estas opiniões.

Reflita, não use seu conhecimento para racionalizar tua IMATURIDADE dando razão ao caos e as inverdades que tua mente cria.

Quando a resposta para os teus anseios te alcançar… Você reconhecerá quem são os teus verdadeiros amigos.

 ***

Não existe isso intrometer-se. Quem está envolvido zela por todas as partes.

Não ofenda os grandes pensadores com interpretações vagas e infantis de seus discursos. primeiro vem os valores, existe centenas de livros sobre moral, ética… etc. Valores… Princípios… Bom senso. Pode-se aprender tudo sozinho… No entanto de que vale se não praticar?

Seja você a mudança que tanto espera ver nos outros… no mundo.

Assim, como violência gera violência, gentileza… Prontidão também geram as mesmas coisas.

“Um grama de bom senso vale mais que uma tonelada de filosofia.”

(Te liga, mano!)

Alien – Prometheus: Ficção Científica & Horror- Trailers de todos os filmes

A Ficção científica é um gênero literário que costuma ser definido como a criação estórias fictícias, que propõem uma realidade possível, mas não no presente. Pode-se notar a influência desse gênero em histórias de livros, filmes, quadrinhos e gravuras de grandes artistas que se embrenham pelo Surrealismo para dar materialidade as suas emoções e visões insólitas que suas mentes criam.

A terminologia “ficção científica” surgiu em meádos 1929 das idéias de Hugo Gernsback, o mesmo que criou o fantástico “Amazing Stories”, uma publicação especializada que ganhou até uma série na televisão homônima. Na década de 50 o termo “Sci-Fi”, abreviatura de “science fiction”, ganhou mais ‘espaço’ nos EUA.

Alien é um tema retomado por Ridley Scoth 33 anos depois do primeiro, ‘Alien: O 8º Passageiro. (Que eu tinha o livro!)
O formato atual busca responder uma questão ligada a origem de Alien. O horror humano ao desconhecido, medos primordiais são abordados. Mesmo muito fã de Ficção científica, minha pequena trajetória nesse gênero me diz que nada é mais referêncial do que Alien e Blade Runner, são os mais influentes.

O artista plástico suíço H.G. Giger é quem assinala com sua temática de horror surreal a criação do pitoresco (na falta de uma palavra agora) Alien. Seus cenários e “monstros” mudaram a história do cinema. O primeiro filme com Ridley Scoth lhe rendeu um Óscar de melhores efeitos especiais.

Compartilhando aqui minha satisfação em rever um dos meus temas favoritos, associado a um dos meus filmes favoritos que selecionei os trailers de todos os filmes da série: Alien, Aliens – O Resgate, Alien III, Alien – A Ressureição e Prometheus.

Apaixone-se.

Alien – O 8.o Passageiro (Alien)
(Ridley Scott, 1979)

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=bEVY_lonKf4

Aliens – O Resgate (Aliens)
(James Cameron, 1986)

http://www.youtube.com/watch?v=XKSQmYUaIyE&feature=player_embedded

Obs.: Procure a versão extendida, com uns extras da trama.

Alien 3 (Alien 3)
(David Fincher, 1992)

http://www.youtube.com/watch?v=9vnjQPcrcZI&feature=player_embedded

Alien – A Ressureição (Alien – Ressurection)
(Jean-Pierre Jeunet, 1997)

http://www.youtube.com/watch?v=S1myB44Tjiw&feature=player_embedded

Prometheus
(Ridley Scott, 2012)

http://www.youtube.com/watch?v=sftuxbvGwiU&feature=player_embedded

SUCUBUS

Noite. Nada mais previsível ao chover. Aguardar um pouco mais antes de ir embora. As ruas estavam vazias e as luzes tremeluziam a distância ao sabor da água que caía. Pela sarjeta escorria violentamente dando farta impressão de que não iria passar.

Encolheu-se um pouco, estava frio, mas era agradável. Não era seguro uma hora daquela estar ao léu por aí. As cidades estavam muito violentas. Carros passavam vez por outra, seria difícil também atravessar a rua mesmo depois de a chuva amainar. Poderia ser pego pelas enxurradas que os carros levantavam.

Mais um pouco e tudo ficou deserto. Ensaiou, olhou para um lado, olhou para outro. Imaginou se não teria alguém espreitando. Olhou para trás. Vazio. Um vazio muito diferente. Silencioso até mesmo para aquele horário da noite. Os ruídos de pingos eram ínfimos. O silêncio pesava terrivelmente.

Sentiu-se distante, transportado. Imaginou que um abraço seria maravilhoso àquela noite. Imaginou-se debruçado sobre uma mulher angelical que lhe chamava vagamente pelo nome. Sentiu o próprio cabelo esvoaçante e despertou de repente do devaneio. Estava realmente só àquela hora da noite. Voltar pra casa, muito cansado… Caminhou mais depressa.

A lembrança do que havia pensado o assolou novamente. ’Devo estar muito carente…’ pensou. Novamente sua mente debandou e suavemente uma mão deslizou por seus cabelos e sues pensamentos levados por um misterioso desejo, novamente agarrou a mulher. Esta se entregou para seus beijos languidamente. Era jovem, magnífica… Uma mulher e mesmo assim tão angelical… Sua beleza impressionava a cada simples expressão.

No auge de seu prazer imaginário sentiu envergonhado. Uma outra pessoa vinha do outro lado da rua, no sentido contrário. Era uma mulher. Quando ela passou sentiu-se devastado. Aquele rosto. Aquele olhar. Onde teria visto aquela mulher. Sua expressão era rígida e passou encarando-o friamente.

Por semanas viu-se assolado por aqueles sonhos. Tanto prazer, tão real. Uma mulher que existe. Precisava conhecê-la e não sabia onde procurar. Arrasado, cada vez mais cansado… sentia-se envelhecer tão rapidamente. Sua tristeza e sua alegria coexistiam seriamente.

Tudo perdera o sentido. Sua carreira era um marasmo. Como artista plástico era considerado menor. Mudou seu estilo bruscamente devido aos assaltos daquela lembrança. Pensava tanto que reproduzia cada imagem que assolava sua mente.

Certa vez, olhou para uma de suas telas abismado. Sentou-se diante dela como de uma pessoa realmente, com quem falaria. O olhar que a imagem lhe devolvia era frio, empedernido. Olhava cada detalhe que ele podia lembrar… Pincelados cuidadosamente.

Era um deleite macabro. Lembrou-se a que horas tudo aconteceu.

Olhou para o relógio. Três da manhã. Correu para abrigar-se da chuva que engrossava mais e mais. Lembrou-se que ao sair do Pub esbarrou em alguém que ignorou. Lembrou-se do uísque que tomou e seu sabor forte. Depois de algumas doses. ‘Mais uma dose, cowboy!’ Pediu.

Decidiu embora porque, mesmo muito perto de casa, não era mais tão seguro andar por aí. O silêncio que o impressionou também fora lembrado. Àquela hora, como homem não queria mais expor à rua, pensando sobre a violência das grandes cidades. Mas o que uma mulher fazia na rua tão tarde e sozinha?

Olhou para o relógio. Saiu em disparada e atravessou a rua. Primeira a direita numa perpendicular. Uma mulher estava parada ao longe. Olhou para traz e caminhou em sua direção. Aqueles pensamentos mundanos que teve com ela o invadiram, sua ansiedade o tomou completamente. Sentiu tão saciado ao vê-la.

Ao se aproximarem o olhar da mulher era como o da pintura que o encarava. Ela estava em um lindo vestido talhado para dar formas malignas ao seu corpo felino. O casaco semi-aberto parecia uma porta semi-aberta. Ela o puxou e beijou ‘selvagemmente’.

Aquelas imagens todas que estavam em sua mente se concretizaram. Ela o olhava, ele a olhava. Todas aquelas formas e cheiros, beijos e carícias… Sua mente dançava em suas mãos. Seu charme temperava sua vibração, coloria seu sangue de todas as cores… A fisiologia do amor era deliciosa. Controlava cada desejo e satisfazia sugando sua vitalidade. Sugando seu ardor. Sem nunca tê-lo tocado. Sua vibração assolava aquele pobre homem terrivelmente. Naquela mente viril e perturbada ela encenava seus anseios libertinos.

A única vez que o tocou. Abraçou-o abrindo caminho pelos seus cabelos até o pescoço. Sua pulsação enlouquecida dava um sabor diferenciado a sua caça. O sangue escorria para seus lábios finos, delgados… Nenhuma gota se desperdiçava.

Depois se sentiu invadida de grande vitalidade e força. Abraçou aquele corpo temendo perdê-lo por um momento, o fluxo diminuía… Uma linha brilhante rolou longamente de sua boca sendo recolhida pelas costas da mão.

Seus olhos tremeluziam na escuridão. O corpo tombou inerte. Saíra caminhando lentamente. Não podia ser notada se não quisesse. E seguiu adiante até desaparecer ao longe.

Zeus

Eu não posso duvidar dos teus olhos
Olhos de deus, duas gemas opalinas
Pelos portões de mentiras gradeadas
E que o silencio e só confirma.

Eu tenho vergonha, eu também sou um monstro.
E destes que comem os próprios filhos,
Mas é onde a maldade não pode estar
É que eu acarinho o teu corpo felino.

Eu não tenho lar,  eu não tenho coisa alguma
Mas eu te dou todo meu ser assim,
Sem mais, sem dó, angustia e talvez duvida!

Eu não sou ninguém só paro e assisto
Passar a vida que eu não faço parte
Eu não posso duvidar dos meus olhos.

Sem Título

Sim, eu perdi e  não sei mais, eu não acho…
Eu não sei mais por onde procurar.
O meu olhar é um vazio medievo
Sem deus nenhum para me consolar.

Dá-me um beijo doce e paz de espírito
Qu’eu não quero mais ouvi-lo chorar
Eu sou um monstro, disso eu não mais duvido
E  ninguém será capaz de perdoar…

Vem, me abraça num sonho que não cessa
Não quero nesse mundo me arrastar
Sou covarde e não quero minha paga!

Vem, me impede desse ódio que me cega
Um tormento que eu não posso apagar
Sou covarde e não quero minha paga!

Puer Eternus

Saudade, uma coisa triste que invade
Lembrança que se sonha reviver…
O tédio de uma infância mal vivida
Da insustentável leveza do ser…

Saudade é coisa triste que deságua
Num travesseiro – sonhos distorcidos
Misturados, quebrados ou perdidos
Por entre lápides intermináveis…

Por quantas vidas terei que passar
Até que eu aprenda tudo que eu preciso?
Como se eu já não pudesse saber…

Em que sarjeta eu terei que afundar
Para o meu sonho, hoje preterido,
Não seja um sonho apenas por sonhar?

Último Soneto

Não mais cantarei a desonra e a tristeza
Não mais chorarei o corpo do meu filho
Ele é bem melhor do que eu e bem mais feliz
Não sou toda essa vergonha exilada!

Tomarei meu vinho triste e honesto
E saudarei minhas alegrias perdidas,
Sonhos defeitos e acasos retóricos…
Que só minha poesia pode dizer.

As mentiras não podem, nem viverão
A traição que eu detesto me atormenta
Em noites de soluços e gemidos…

A trama que jamais dissiparão:
E nos meus sonhos me vejo correndo
Para os braços de um grande amor em vão.

Mort!

A Única

Eu amo e me tenho toda em Baudelaire
Em seus versos minha alma se traduz
Toda inteira, nada, sempre a mesma, é…
Spleen abandonado – dor de cruz!

O meu grão desespero de mulher
É(ra) não ser a dama crioula de ninguém
E não sendo alvo de anátema ou de fé
Soluçar a vida inteira sem um bem!

Por me dar a mim e tudo que eu tinha
E não ser da prima escala o Sol maior
Não sou uma nota vil em vil semínima…

Alma, mente, amor e corpo inteiro…
– Sou poetisa, minha dor é bem maior!
Não ser a única, não ser a escolhida.

(Prima Quaestio)